terça-feira, 24 de maio de 2011

Eu já vivi o vosso futuro

Segundo a ciência, que a natureza é cíclica, é um facto. Que o terramoto de 1755 que se abateu sobre Portugal se irá repetir, é, quase, uma certeza. Que o ser humano é parte integrante da natureza, é uma realidade.

Analisando num plano cientifico as premissas, será que no plano ideológico haverá analogia?

Segundo Vladimir Bukovsky, escritor e cientista russo, essa é uma realidade. Fazendo fé de um e-mail, daqueles que circulam por aí:

Declarações do escritor e dissidente soviético, Vladimir Bukovsky, sobre o Tratado de Lisboa

"É surpreendente que, após ter enterrado um monstro, a URSS, se tenha construído outro semelhante: a União Europeia (UE).


O que é, exactamente a União Europeia? Talvez fiquemos a sabê-lo examinando a sua versão soviética.


A URSS era governada por quinze pessoas não eleitas que se cooptavam mutuamente e não tinham que responder perante ninguém. A UE é governada por duas dúzias de pessoas que se reúnem à porta fechada e, também não têm que responder perante ninguém, sendo politicamente impunes.


Poderá dizer-se que a UE tem um Parlamento. A URSS também tinha uma espécie de parlamento, o Soviete Supremo.



Nós, (na URSS) aprovámos, sem discussão, as decisões do Politburo, como na prática acontece no Parlamento Europeu, em que o uso da palavra concedido a cada grupo está limitado, frequentemente, a um minuto por cada interveniente.


Na UE há centenas de milhares de eurocratas com vencimentos muito elevados, com prémios e privilégios enormes e, com imunidade judicial vitalícia, sendo apenas transferidos de um posto para outro, façam bem ou façam mal. Não é a URSS escarrada?


A URSS foi criada sob coacção, muitas vezes pela via da ocupação militar. No caso da Europa está a criar-se uma UE, não sob a força das armas, mas pelo constrangimento e pelo terror económicos.


Para poder continuar a existir, a URSS expandiu-se de forma crescente. Desde que deixou de crescer, começou a desabar. Suspeito que venha a acontecer o mesmo com a UE.

Proclamou-se que o objectivo da URSS era criar uma nova entidade histórica: o Povo Soviético. Era necessário esquecer as nacionalidades, as tradições e os costumes. O mesmo acontece com a UE, parece. A UE não quer que sejais ingleses ou franceses, pretende dar-vos uma nova identidade: ser «europeus», reprimindo os vossos sentimentos nacionais e, forçar-vos a viver numa comunidade multinacional. Setenta e três anos deste sistema na URSS acabaram em mais conflitos étnicos, como não aconteceu em nenhuma outra parte do mundo.


Um dos objectivos «grandiosos» da URSS era destruir os estados-nação. É exactamente isso que temos na Europa, hoje. Bruxelas tem a intenção de fagocitar os estados-nação para que deixem de existir.


O sistema soviético era corrupto de alto a baixo. Acontece a mesma coisa na UE.

Os procedimentos anti-democráticos que víamos na URSS florescem na UE. Os que se lhe opõem ou os denunciam são amordaçados ou punidos. Nada mudou.



Na URSS tínhamos o «goulag». Creio que ele também existe na UE. Um goulag intelectual, designado por «politicamente correcto».


Experimentai dizer o que pensais sobre questões como a raça e a sexualidade. Se as vossas opiniões não forem «boas», «politicamente correctas», sereis ostracizados. É o começo do «goulag». É o princípio da perda da vossa liberdade.

Na URSS pensava-se que só um estado federal evitaria a guerra. Dizem-nos exactamente a mesma coisa na UE.

Em resumo, é a mesma ideologia em ambos os sistemas. A UE é o velho modelo soviético vestido à moda ocidental. Mas, como a URSS, a UE traz consigo os germes da sua própria destruição. Desgraçadamente, quando ela desabar, porque irá desabar, deixará atrás de si um imenso descalabro e enormes problemas económicos e étnicos.

O antigo sistema soviético era irreformável. Do mesmo modo, a UE também o é. (...)

«Eu já vivi o vosso futuro»..."

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Hotel Califórnia - Eagles

Há quem diga tratar-se de uma alusão ao satânico. Outros que é à onda gay.

As músicas e poemas não têm necessariamente de ter um objectivo pontual. A poesia e a ciência embora não sejam tão antípodas como se possa julgar, mas aquela por trabalhar mais as emoções, tem a vantagem de poder tomar vários caminhos interpretativos. Quem as lê ou ouve pode decidir que mensagem lhe suscita ou, irracionalmente, sentimentos lhe afloram. No entanto, nos poemas, por vezes, também existem questões factuais. Em “Hotel Califórnia” não podemos esquecer que o ano de 1969 foi rico em drogas com LCD no topo delas, comunidades hippies sem rumo e objectivos de vida, sexo sem tabus com culto de orgias. Passada a euforia desta moda, alguns ficaram presos a ela isto é, viciados sem conseguirem libertar-se com agravante de em muitos casos haverem lideres que subjugavam às suas vontades a vida de outros, iludindo-os de que eram livres.


Letra traduzida:
Numa estrada escura e deserta, vento fresco em meus cabelos
Cheiro morno de baseado, se erguendo pelo ar
Logo a frente a distância, eu vi uma luz trêmula
Minha cabeça ficou pesada e minha visão embaçou
Eu tive que parar para dormir

Lá estava ela na entrada da porta;
Eu ouvi o sino da recepção
e estava pensando comigo mesmo:
"Isso poderia ser o Céu ou o Inferno".

ela ela acendeu um candelabro e me mostrou o caminho.
Havia vozes pelo corredor,
Eu acho que ouvi elas dizerem...

Bem-vindo ao Hotel Califórnia,
Que lugar encantador (2x)
Que rosto encantador.
Vários quartos no Hotel Califórnia,
Qualquer época do ano,
você pode nos encontrar aqui.

Sua mente é depravada, ela tem um Mercedes-Benz,
Ela tem vários lindos, lindos rapazes, que ela chama de amigos.
Como eles dançam no jardim, doce suor de verão,
Alguns dançam para lembrar, alguns para esquecer.

Então eu chamei o Capitão,
"Por favor, traga-me meu vinho".
Ele disse: "Nós não temos este espírito aqui desde 1969".
E ainda assim aquelas vozes estão chamando, à distância,
Te acordando no meio da noite
Só para ouvi-las dizerem...

Bem-vindo ao Hotel Califórnia,
Que lugar encantador (2x)
Que rosto encantador.
Nós estamos vivendo no Hotel Califórnia,
Que surpresa agradável (2x)
tragam seus álibis

Espelhos no teto,
Champagne Rosê no gelo,
E ela disse: "Nós somos todos apenas prisioneiros aqui, por nossa própria conta"
E no aposento do mestre,
Eles se reuniram para a festa.
Eles apunhalavam aquilo com seus punhais de aço,
Mas simplesmente não podiam matar a besta.

A última coisa que me lembro, eu estava
Correndo para a porta
Eu tinha de encontrar a passagem de volta
Para o lugar onde estava antes.
"Relaxe", disse o porteiro,

"Nós somos programados para receber
Você pode assinar a saída quantas vezes quiser,
Mas você nunca poderá sair!"

Letra original:
On a dark desert highway, cool wind in my hair
Warm smell of colitas, rising up through the air
Up ahead in the distance, I saw a shimmering light
My head grew heavy and my sight grew dim
I had to stop for the night

There she stood in the doorway
I heard the mission bell
And I was thinking to myself
This could be Heaven or this could be Hell

Then she lit up a candle and she showed me the way
There were voices down the corridor
I thought I heard them say

Welcome to the Hotel California
Such a lovely place (2x)
Such a lovely face
Plenty of room at the Hotel California
Any time of year (2x)
You can find us here

Her mind is Tiffany-twisted, she got the Mercedes-Benz
She got a lot of pretty, pretty boys, that she calls friends
How they dance in the courtyard, sweet summer sweat
Some dance to remember, some dance to forget

So I called up the Captain
Please bring me my wine
He said, we haven't had that spirit here since nineteen sixty-nine
And still those voices are calling from far away
Wake you up in the middle of the night
Just to hear them say

Welcome to the Hotel California
Such a lovely place (2x)
Such a lovely face
We're livin' it up at the Hotel California
What a nice surprise (2x)
Bring your alibis

Mirrors on the ceiling
The pink champagne on ice
And she said, we are all just prisoners here, of our own device
And in the master's chambers
They gathered for the feast
The stab it with their steely knives
But they just can't kill the beast

Last thing I remember, I was
Running for the door
I had to find the passage back
To the place I was before
Relax, said the night man

We are programmed to receive
You can check out any time you like
But you can never lea

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Carta de vinhos, Grão Vasco Dão Tinto


Grão Vasco Dão Tinto é para mim o melhor vinho corrente português, este em particular, o clássico. Produzido nas terras da região do Dão, Beira Alta. E chamo-lhe clássico por ser o primeiro produto com a designação a par com mais duas variantes: Douro e Alentejo.

O primeiro ponto agradável é o seu grau alcoólico, 12,5%. Não lhe tira, não lhe presta, nem camufla aromas é, para mim, o grau ideal. E, muito importante, não precisa de mais grau para lhe induzir qualidade.

Empiricamente, sinto um aroma frutado em que realça o sabor da própria uva (doce qb) de ambiente continental da Beira Alta, um aveludado sem exagero, o sabor fica-se praticamente no presente e, quando acompanhado por alimentos, realça-os sem que estes percam o seu sabor natural.

Produzido pela Sogrape Vinícola do Vale do Dão.

Não se tratando de saudosismo, é mesmo gosto, preferia o design do rótulo antigo onde o retrato de São Pedro pintado por Vasco Fernandes (pintor português), se destacava em primeiro plano.

Na minha classificação, de 1 a 5, atribuo-lhe 5.

O vinho e demais bebidas com álcool são para degustação e ajuda na composição de sabores, não são para matar a sede.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Ninguém em casa




O senhores Portonha e Ugaleão, fundadores de uma pequena empresa, constituíram-na num período favorável ao inicio do negócio a que se propuseram. Como qualquer empresa, tiveram alguns percalços na sua constituição, nada que não se tivesse resolvido com força e persistência, como em tudo na vida. A concorrência, amiga da criatividade e qualidade, era agressiva, mas nada que os empresários não conseguissem resolver.

A empresa foi andado, umas vezes melhores que outras, uns anos mais rendível outros menos. Tiveram o seu auge num determinado período, com as invejas de que qualquer empresa de sucesso é alvo, com tentativas de "OPA's Hostis" em parte consumadas. Mas, a persistência e empreendedorismo dos empresários deram a volta à questão e conseguiram retomar a empresa que, com tantos ventos e marés contra, se tinham deparado para chegar ao estádio de umas empresas mais cotadas do mercado.

Como em qualquer negócio, para ser bom, têm as duas, três, n partes serem beneficiadas com o seu fim. Esta, infelizmente, por culpa ou não dos seus gestores, a partir de determinado período começou a ser alvo de estratégias menos fieis por parte dos seus parceiros, que à partida pareciam querer colaborar numa mais valia plural. Não se verificou isso, com a agravante de que gestores e sócios na altura, estarem mais preocupados com os luxos proporcionados que com a fonte que os proporcionava. Daí resultou que a empresa além de perder estatuto no mercado, nunca mais conseguiu recuperar os seus bons momentos. Como um dos resultados, a degradação do tecido operário com a saída, principalmente do especializado, para outras empresas.

Embora se diga que uma fortuna não consegue sobreviver mais de cinco gerações esta, chegou à sétima. No entanto, soube por fontes não sei se fidedignas, que esta empresa de largos anos está num estado de agonia financeira. Indaguei, e consta que a empresa não produz pois, tem matéria prima mas não explora, e deixa que sejam outros a tomar conta da sua estratégia. Agora, diz-se que uma empresa de nome Faz como Mando Inc., lhes vai dar umas luzes de como reabilitar a empresa.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Jantinha com os apóstrofos


Antes de qualquer risada, quero realçar que se eu fosse o professor do aluno que deu mote a este post, estava preocupadíssimo porque, preocupado estou eu na qualidade de concidadão deste miúdo.

É caso para dissecar se o erro é dele. Na minha opinião, não é. E, a lista de réus deste "tribunal" bloguista era extensa se eu a elaborasse.

Como não há "condenações" pela riqueza de cultura deste miúdo, o filho dele, se o vier a ter (mais valia que não), das duas uma: ou vai ser um individuo com oportunidades de se valorizar culturalmente porque, o pai - autor da resposta - tem inatamente bom senso e percebe a diferença entre ser culto e não ou, vai herdar uma postura de astenia cultural, à semelhança dos tempos da escravatura em que filho de escravo, escravo seria.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Filantropia

Neste mundo que se visa, quase em exclusivo, o lucro imediato e o esforço alheio, foi como vitamina a notícia abaixo transcrita num boletim de café, logo pela manhã. Por um lado angustiou-me pelas minhas / nossas atitudes egoístas por outro, foi como lufada de ar fresco ao perceber que ainda há gente com sentido de inter-ajuda.

A notícia:
Uma mãe solteira, que tem três trabalhos para conseguir manter um telhado sobre a sua cabeça e as das suas duas filhas adolescentes, perdeu esse telhado quando inesperadamente ele se desmoronou. Infelizmente, Christina Keller de Alberta, no Canadá, descobriu que a sua companhia de seguros não iria pagar para arranjar o telhado. O seu problema foi anunciado no jornal da localidade, e, felizmente dois biscateiros viram a história e ofereceram-se para ajudar. Os dois homens, Trent Maclsaac e Mike Gaensslem, que não se conheciam, eram uns bons rapazes que não gostavam de ver uma mãe tão trabalhadora ficar em dificuldades. Quanto a Keller, está tremendamente grata e espera um dia puder vir a ajudar alguém da mesma forma que a ajudaram a ela.

in Coffee News


segunda-feira, 19 de julho de 2010

Carta de vinhos, Cerejeiras




Peço desculpa a quem seguia esta rubrica e, até hoje, se podia deliciar por um único sabor. Hoje apresento um vinho corrente da estremadura contudo, o seu sabor não é o comum dos vinhos desta região. Eu, como simples apreciador, acho que essa diferença se deve à casta "Castelão".

É um vinho de sabor agri-frutado ou seja, com a base caracteristica de um vinho da estremadura (ácido) e um frutado à semelhança dos vinhos Baixo Douro / Beiras.

Cerejeiras Regional Tinto é produzido pela Companhia Agrícola do Sanguinhal, Bombarral.

Óptimo para acompanhar carne e mesmo peixe, principalmente, azuis (gordos). Na minha tabela de uma a cinco estrelas, dou-lhe 4.





O vinho e demais bebidas com álcool são para degustação e ajuda na composição de sabores, não são para matar a sede.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Carta ao Mathis, de Francisco Seixas da Costa

Poderia editar a carta sem qualquer comentário meu. Estaria tudo dito ou por outra, a mensagem estava dada. Mas, angustiantemente, como o ser humano é de visões curtas quando estão em jogo os sentimentos, interesses, orgulhos, bem estar, esforço, humanidade, produtividade, cooperação, altruísmo enfim, tantas posturas que a ninguém faria mal mas sim bem, e isso só porque somos uma sociedade dividida e explicada biblicamente pelo episódio da "Torre de Babel", decidi escrever estas linhas para me juntar à indignação, não da directora da escola, sim à estupidez e egoísmo humano que não aprende que o bem estar do semelhante é o bem estar próprio e levou, muito bem, a directora, a tomar a melhor opção para evitar "motins infantis", ao proibir Mathis de entrar na escola com a camisola da selecção portuguesa.

Ao Mathis: desejo que continues a sentir-te orgulhoso das tuas nacionalidades!

Ao Sr. Embaixador Francisco Costa: obrigado pela bonita carta e muito pedagógica!

Aos nossos pares terráqueos: sejamos tolerantes e educados!

Aos franceses: o nosso ascendente e vosso Rei Roberto II trisavô do nosso primeiro monarca e fundador do reinado português, D. Afonso Henriques, não deveria ficar orgulhoso por no País dele ainda lidarmos assim uns com os outros.


A carta do Embaixador Francisco Seixas da Costa:




Olá, Mathis


Soube há pouco, por um jornal, que não te deixaram entrar na escola, aqui em França, porque levavas vestida a camisola da seleção portuguesa. Os teus pais, ao que parece, ficaram aborrecidos com isso.

Queria dizer-te que não deves ficar preocupado com o que aconteceu. Pelos vistos, o objetivo da direção da tua escola foi evitar a possibilidade de outros meninos, de várias nacionalidades - a começar pelos franceses -, poderem meter-se contigo e criar alguma confusão. Se calhar, na tua escola, há meninos da Coreia do Norte...

É muito bom que tenhas sentido orgulho em usar a nossa camisola. A França é o país onde vives mas, como se viu, Portugal é o país que trazes no teu coração. É aqui que, provavelmente, irás fazer a tua vida, no futuro, mas isso não te torna menos português. A França é uma terra onde há muita gente que veio de outros países, como de Portugal, à procura de oportunidades para trabalhar. A França deu-lhes essa possibilidade e os portugueses retribuíram com o seu esforço, com a sua seriedade e a sua honestidade, para a riqueza da sociedade francesa. E aqui estão, também em sua casa. Ninguém deve nada a ninguém. E tu és a melhor prova do sucesso da integração dos portugueses em França, com a tua mãe francesa e o teu pai luso-descendente.

Os portugueses que aqui vivem devem ser sempre leais para com a França que os acolhe, da mesma maneira que a França tem de aceitar que tu, tal como os outros meninos que se sintam ligados a Portugal, possam mostrar isso, nas ruas ou nas camisolas. Pode discutir-se se a escola é o lugar mais indicado para andar com as camisolas da nossa seleção, mas, aos teus amigos de cá, deves lembrar que foi a Revolução Francesa, aquela que está na bela "La Marseillaise", que ensinou o mundo a lutar pela liberdade, a defender a igualdade entre todos e a demonstrar a nossa fraternidade perante os outros.

Para ti, caro Mathis, quero deixar-te um abraço bem lusitano e um convite para, um destes dias, vires, com os teus pais, visitar a Embaixada. E também espero que, qualquer que seja o resultado que a seleção portuguesa venha a ter no Mundial, tragas vestida a camisola das quinas. É que nós, os portugueses, temos por tradição ser muito orgulhosos do nosso país, tanto nos bons como nos maus momentos.

Francisco Seixas da Costa

in http://duas-ou-tres.blogspot.com/2010/06/carta-ao-mathis.html

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Dentadas da vida


Reparem na maçã com a primeira dentada! Linda, suculenta, aparentemente deliciosa. É como a nossa vida!

Não quero dizer que quem tem mais idade não tenha os atributos de uma juventude. Por vezes aliás, na maioria dos casos, têm até mais encanto e charme. Mas uma coisa é certa, a vida é efémera! Quantos não ouvimos dizer: "Se eu tivesse aquela idade...", "Aproveite agora, que era o que eu deveria ter feito...", "Então você é tão novo/a e já está com essa postura...", para além de casos ridículos em que se comenta: "Olha, está a querer fazer as loucuras que não fez em novo...", "Agora com aquela idade é que se foi meter com as(os) miúdas(os)...".

A beleza da vida é para ser degustada a cada dentada, não estar à espera que a próxima lhe saiba melhor.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

"...quanto mais ladrões, mais queridos, mais simpáticos..."

O título não são palavras minhas. Minhas, fico-me só com estas e, mais estas: Grande MULHER! porque, não é fácil ser assim, nem vai ser fácil...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O que faz falta?

Obrigado Lurdes pelo artigo e título do meu post!

Num post anterior com o título "pessoas e PESSOAS" termino assim: "...quando há uma reivindicação pertinente, por exemplo, do sector primário da nossa economia, quantos do secundário e terciário ficam sensíveis e apoiam a causa activamente?", ao que junto as interrogações de António Barreto, no fim do seu artigo: "...tão inquietante quanto esta tendência insaciável para o despotismo e a concentração de poder é a falta de reacção dos cidadãos. A passividade de tanta gente. Será anestesia? Resignação? Acordo? Só se for medo..."

Eu não sei o que é que se passa connosco contudo, atrevo-me a acrescentar mais uma às interrogações de António Barreto: Egoísmo?


SÓCRATES E A LIBERDADE,
por António Barreto in "Publico"

EM CONSEQUÊNCIA DA REVOLUÇÃO DE 1974 , criou raízes entre nós a ideia de que qualquer forma de autoridade era fascista. Nem mais, nem menos.
Um professor na escola exigia silêncio e cumprimento dos deveres?
Fascista! Um engenheiro dava instruções precisas aos trabalhadores no estaleiro? Fascista! Um médico determinava procedimentos específicos no bloco operatório? Fascista! Até os pais que exerciam as suas funções educativas em casa eram tratados de fascistas.
Pode parecer caricatura, mas essas tontices tiveram uma vida longa e inspiraram decisões, legislação e comportamentos públicos. Durante anos, sob a designação de diálogo democrático, a hesitação e o adiamento foram sendo cultivados, enquanto a autoridade ia sendo posta em causa. Na escola, muito especialmente, a autoridade do professor foi quase totalmente destruída.
EM TRAÇO GROSSO, esta moda tinha como princípio a liberdade. Os denunciadores dos 'fascistas' faziam-no por causa da liberdade. Os demolidores da autoridade agiam em nome da liberdade. Sabemos que isso era aparência: muitos condenavam a autoridade dos outros, nunca a sua própria; ou defendiam a sua liberdade, jamais a dos outros. Mas enfim, a liberdade foi o santo e a senha da nova sociedade e das novas culturas. Como é costume com os excessos, toda a gente deixou de prestar atenção aos que, uma vez por outra, apareciam a defender a liberdade ou a denunciar formas abusivas de autoridade. A tal ponto que os candidatos a déspota começaram a sentir que era fácil atentar, aqui e ali, contra a liberdade: a capacidade de reacção da população estava no mais baixo.
POR ISSO SINTO INCÓMODO em vir discutir, em 2008, a questão da liberdade. Mas a verdade é que os últimos tempos têm revelado factos e tendências já mais do que simplesmente preocupantes. As causas desta evolução estão, umas, na vida internacional, outras na Europa, mas a maior parte residem no nosso país. Foram tomadas medidas e decisões que limitam injustificadamente a liberdade dos indivíduos. A expressão de opiniões e de crenças está hoje mais limitada do que há dez anos. A vigilância do Estado sobre os cidadãos é colossal e reforça-se. A acumulação, nas mãos do Estado, de informações sobre as pessoas e a vida privada cresce e organiza-se. O registo e o exame dos telefonemas, da correspondência e da navegação na Internet são legais e ilimitados. Por causa do fisco, do controlo pessoal e das despesas com a saúde, condiciona-se a vida de toda a população e tornam-se obrigatórios padrões de comportamento individual.
O CATÁLOGO É ENORME. De fora, chegam ameaças sem conta e que reduzem efectivamente as liberdades e os direitos dos indivíduos. A Al Qaeda, por exemplo, acaba de condicionar a vida de parte do continente africano, de uma organização europeia, de milhares de desportistas e de centenas de milhares de adeptos. Por causa das regulações do tráfego aéreo, as viagens de avião transformaram-se em rituais de humilhação e desconforto atentatórios da dignidade humana. Da União Europeia chegam, todos os dias, centenas de páginas de novas regulações e directivas que, sob a capa das melhores intenções do mundo, interferem com a vida privada e limitam as liberdades. Também da Europa nos veio esta extraordinária conspiração dos governos com o fim de evitar os referendos nacionais ao novo tratado da União.
MAS NEM É PRECISO IR LÁ FORA. A vida portuguesa oferece exemplos todos os dias. A nova lei de controlo do tráfego telefónico permite escutar e guardar os dados técnicos (origem e destino) de todos os telefonemas durante pelo menos um ano. Os novos modelos de bilhete de identidade e de carta de condução, com acumulação de dados pessoais e registos históricos, são meios intrusivos. A vídeo vigilância, sem limites de situações, de espaços e de tempo, é um claro abuso. A repressão e as represálias exercidas sobre funcionários são já publicamente conhecidas e geralmente temidas. A politização dos serviços de informação e a sua dependência directa da Presidência do Conselho de Ministros revela as intenções e os apetites do Primeiro-ministro. A interdição de partidos com menos de 5.000 militantes inscritos e a necessidade de os partidos enviarem ao Estado a lista nominal dos seus membros é um acto de prepotência. A pesada mão do governo agiu na Caixa Geral de Depósitos e no Banco Comercial Português com intuitos evidentes de submeter essas empresas e de, através delas, condicionar os capitalistas, obrigando-os a gestos amistosos. A retirada dos nomes dos santos de centenas de escolas (e quem sabe se também, depois, de instituições, cidades e localidades) é um acto ridículo de fundamentalismo intolerante. As interferências do governo nos serviços de rádio e televisão, públicos ou privados, assim como na 'comunicação social' em geral, sucedem-se. A legislação sobre a segurança alimentar e a actuação da ASAE ultrapassaram todos os limites imagináveis da decência e do respeito pelas pessoas. A lei contra o tabaco está destituída de qualquer equilíbrio e reduz a liberdade.
NÃO SEI SE SÓCRATES É FASCISTA. Não me parece, mas, sinceramente, não sei. De qualquer modo, o importante não está aí. O que ele não suporta é a independência dos outros, das pessoas, das organizações, das empresas ou das instituições. Não tolera ser contrariado, nem admite que se pense de modo diferente daquele que organizou com as suas poderosas agências de intoxicação a que chama de comunicação. No seu ideal de vida, todos seriam submetidos ao Regime Disciplinar da Função Pública, revisto e reforçado pelo seu governo. O Primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas TEMOS DE RECONHECER: tão inquietante quanto esta tendência insaciável para o despotismo e a concentração de poder é a falta de reacção dos cidadãos. A passividade de tanta gente. Será anestesia? Resignação?
Acordo? Só se for medo...
António Barreto \ Público"

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Unfriend

Unfriend = desamigo

Pois é! Foi eleita pelos britanicos a palavra do ano à custa das comunicações cibernéticas.

É verdade que se queremos evoluir e ou estarmos actualizados, temos de aderir à vontade das massas caso contrário, ficamos, no caso português, "a oeste do paraíso". E, para não correr o risco de ser conotado de "velho do Restelo" vamos lá reformular o texto:

Yá! Foi eleita pelos bifes a palavra do ano porque o people achou fixe usá-la.

Yá que se queremos evoluir tipo estarmos sempre na onda, temos de ser fixes à onda do people senão ficamos, no caso portuga, "fora da onda". Pah, para não ser tecla 3 [DEF (deficiente)], tipo cota, bute lá escrever doutra maneira:

...

E por aí fora, até chegarmos a um texto... olhem, tipo não sei o quê.



terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Será velho do Restelo?

Publico aqui um e-mail que anda por aí a circular, dá que pensar! Uns encontram razões para contrapor o exposto outros, acrescentarão outras razões para reafirmar a indignação.

No que me diz respeito, acho que seria insensatez da minha parte por exemplo: ter 300000 eur, comprar um Porsche no valor de 250000 eur, ter familiares no limiar da pobreza, e usar o restante para completar o vencimento mensal para que pudesse sustentar o nível de vida a que me tinha proposto. Quanto aos familiares; "olha, que se arranjem, ninguém os mandou serem pobres e ou não terem estudado para serem doutores..."

Utopia? infelizmente!

O e-mail:

Este é o pensamento político que temos(em Portugal), está em todas:
· Estádios de futebol, hoje às moscas,
· TGV,
· novo aeroporto,
· nova ponte,
· auto-estradas onde bastavam estradas com bom piso,
· etc. etc.

A quem na verdade serve tudo isto?
PORTUGUESES, LEIAM AS LINHAS SEGUINTES E PENSEM A QUEM VAI SERVIR O TGV ...
1. AOS FABRICANTES DE MATERIAL FERROVIÁRIO ( alemães, franceses e espanhóis )
2. ÀS CONSTRUTORAS DE OBRAS PÚBLICAS E .. CLARO as espanholas
3. AOS BANCOS QUE VÃO FINANCIAR A OBRA ... finanças internacionais

OS PORTUGUESES FICARÃO - UMA VEZ MAIS - ENDIVIDADOS DURANTE DÉCADAS POR CAUSA DE MAIS UMA OBRA MEGALÓMANA ! ! !
Experimente ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio.
Comprado o bilhete, dá consigo num comboio que só se diferencia dos nossos 'Alfa' por não ser tão luxuoso e ter menos serviços de apoio aos passageiros. A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas. Não fora conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemáticos pelos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos.. Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criação de riqueza.
A resposta está na excelência das suas escolas, na qualidade do seu Ensino Superior, nos seus museus e escolas de arte, nas creches e jardins-de-infância em cada esquina, nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade.
Percebe-se bem porque não construíram estádios de futebol desnecessários, constroem aeroportos em cima de pântanos, nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais. O TGV é um transporte adequado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo.É por isso que, para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem essas tecnologias, só existe TGV em França ou Espanha (com pequenas extensões a países vizinhos).
É por razões de sensatez que não o encontramos na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros países ricos. Tirar 20 ou 30 minutos ao 'Alfa' Lisboa-Porto à custa de um investimento de cerca de 7,5 mil milhões de euros não trará qualquer benefício à economia do País. Para além de que, dado ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.

Com 7,5 mil milhões de euros podem construir-se:
- 1000 (mil) Escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas existentes (a 2,5 milhões de euros cada uma);
- mais 1.000 (mil) creches (a 1 milhão de euros cada uma);- mais 1.000 (mil) centros de dia para os nossos idosos (a 1milhão de euros cada um). E ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas outras carências como, por exemplo, na urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária. Cabe ao Governo reflectir. Cabe à Oposição contrapor.
Cabe-lhe a si participar

sábado, 19 de dezembro de 2009

Eu sei, mas não devia

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colasanti













Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.

Fonte: http://www.releituras.com/mcolasanti_menu.asp

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Feliz aniversário Jesus

Natal é uma quadra como todas as outras só que, é direccionada às crianças porque festeja o aparecimento de uma em ano 0, o menino Jesus. Os adultos aproveitam-se do dia das crianças e convivem uns com os outros, beberricando e mordiscando qualquer coisita, é salutar! Mas, pensam eles, nós, e que tal comungar o Pai Natal com o menino Jesus? Este para as crianças e aquele para nós! E para disfarçar, dizemos que as prendas foram todas dadas pelo Pai Natal. Assim, aproveitamos a inocência das crianças e recebemos, também, uma prendita. E isto, porque felizmente, não conseguimos enganar as crianças, somos é mais velhos e mais ardilosos. Se disséssemos que o menino Jesus dava prendas a todas as pessoas independentemente da idade, elas iriam perceber que não era natural uma criança oferecer prendas a adultos.

Outro mas: mas, a questão é mais perversa: o Pai Natal é o “protector” do consumo, segundo já se leu, foi inventado pelo capital afim de aumentar o consumo das massas. Então só os produtores de brinquedos têm o monopólio da quadra Natalícia?! Não pode ser! Então e os automóveis, motas, casas, viagens, roupa para adultos, quinquilharias, peúgas e cuecas?

No meio disto tudo esquecemo-nos de um pormenor muito importante: a comemoração do Natal é o dia de aniversário de um nascimento, que encarnamos nas crianças, de um menino que nasceu e dizem que salvou a humanidade das trevas. Por tradição quem recebe prendas por aniversário é o aniversariante. Complicado não é?

Desejo de um Feliz Natal ou seja, que todos nos lembremos que uma criança feliz é uma mais valia para a harmonia e bem-estar da sociedade de hoje e amanhã.

Foto retirada de: http://ainanas.com/must-see/fotografia/as-mais-belas-fotos-de-criancas-e-bebes/

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Carta de Vinhos, Alcambar


Vou iniciar um ciclo de vinhos que degusto aquando das minhas incursões gastronómicas. Vou dar a minha opinião sobre o que achei. Reafirmo, é uma opinião pessoal. Tenho por objectivo partilhar com os meus amigos e demais leitores os vinhos que conheço e ajudar numa eventual escolha.

Não sou enólogo, sendo por isso na qualidade de consumidor comum, porque é dos consumidores comuns que se consome mais ou menos, que dou a minha opinião. Não é pretensão minha desprestigiar ou desvalorizar a opinião dos técnicos enólogos. É sim, por à vista o palato empírico.

Hoje começo com vinho corrente que bebi na última refeição num restaurante de Lisboa:

Alcambar tinto da Adega Cooperativa do Fundão, Fundão.

Vinho suave, boa cor e aroma a sol, típico de clima continental; frio e quente seco nas respectivas estações. Acompanhei com prato de carne.

Na qualidade de vinho corrente classifico-o com 4*

O vinho e demais bebidas com alcool são para degustação e ajuda na composição de sabores, não são para matar a sede.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Casa que não tem pão

Se se convidar um gestor ou economista a um debate sobre finanças, como eu já vi e ouvi, e este quiser dar um exemplo prático sobre gestão económica para que a população em geral perceba que tem de refrear e fazer contas à vida, dão sempre o exemplo, injusto, da economia familiar. E, fazem sempre referência ao papel das mulheres nessa gestão apelidando-as das melhores gestoras (induzindo compararem-se a elas), o que na minha opinião pessoal concordo porque, são muitas delas que ficam com a preocupação de gerir o que sobra depois de muitos maridos já terem tirado antecipadamente os valores necessários aos seus ímpetos consumistas, sendo elas depois que têm de refrear as suas (da família) necessidades básicas. Quando essas gestoras confrontam o agregado activo que o orçamento não chega e, porventura, terá de se ir às economias de reserva (os poucos que conseguem apurá-las) para fazer face aos custos da vida, são chamadas à atenção da gestão que andam a fazer.

Ora, mais uma vez, depois de ter lido um artigo de opinião de António Costa sobre o orçamento rectificativo de Portugal aqui: http://economico.sapo.pt/noticias/ma-gestao-das-expectativas_74904.html , fiz a analogia:
Os gestores de Portugal recebem verbas dos portugueses TRABALHADORES, PRODUTORES e INVESTIDORES. Estes, alguns, retiram antecipadamente qualquer coisita para os seus caprichos e ostentação que apelidam do seu esforço, quando na verdade, parte, foi à custa de quem lhe permitiu o apuramento de verbas. Os gestores quando fazem o orçamento, fazem-no como se não houvesse aquela retirada antecipada e chegam a determinados números irreais. Como alquimistas, tratam de reaver o que acham que lhes pertence e responsabilizam os trabalhadores da reposição das ditas verbas em falta... Mas, como continua a não chegar porque as despesas foram muitas, há que rectificar o orçamento e ir às reservas. Se não for aprovado porque são chamados à atenção da gestão que andam a fazer: "venham outros que nós assim não temos condições…"

Como se diz nos filmes; passados X meses:

Se se convidar um gestor ou economista a um debate sobre finanças, como eu já vi e ouvi, e este quiser dar um exemplo prático sobre gestão económica para que a população em geral perceba que tem de refrear e fazer contas à vida, dão sempre o exemplo da economia familiar. E, fazem sempre referência ao papel das mulheres nessa gestão apelidando-as das melhores gestoras…

Os gestores de Portugal recebem verbas dos portugueses TRABALHADORES, PRODUTORES e INVESTIDORES. Estes, alguns, retiram antecipadamente qualquer coisita para os seus caprichos e ostentação que apelidam do seu esforço, quando na verdade, parte, foi à custa de quem lhe permitiu o apuramento de verbas. Os gestores quando fazem o orçamento, fazem-no como se não houvesse aquela retirada antecipada e chegam a determinados números irreais. Como alquimistas, tratam de reaver o que acham que lhes pertence e responsabilizam os trabalhadores da reposição das ditas verbas em falta... Mas, como continua a não chegar porque as despesas foram muitas, há que rectificar o orçamento e ir às reservas. Se não for aprovado porque são chamados à atenção da gestão que andam a fazer; "venham outros que nós assim não temos condições…"

Passados X meses:
Idem…

Post-Scriptum: Homens, não forcem as mulheres a dizerem: venha outra que eu assim não tenho condições. Há um ditado que diz, ou qualquer coisa parecida, em relação às mulheres: a primeira é escrava, a segunda é rainha.

Mais uma foto de Vasco Lago Pinto
http://vascolagopinto.blogspot.com/









quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Birras e embirrações

Os poderes Executivo, Legislativo e Judicial são, segundo a divisão dos poderes estabelecidos, independentes. Isto quer dizer que nenhum deve e pode interferir nas decisões e ou execuções dos outros, não obstante concordarem ou não. A partir do momento que está estabelecido que determinado poder assume funções, não há volta a dar salvo em situações e acontecimentos de Segurança Nacional. Aqui o executivo, na pessoa do Presidente da Republica, tem a palavra decisiva na tomada de posição.

Li com atenção a coluna de António Costa, aqui:
http://economico.sapo.pt/noticias/vamos-voltar-a-discutir-o-pais_74476.html , e chego à conclusão que muito se viola o principio da independência dos Poderes de Estado. O poder Judicial acaba por ser estrangulado pelos outros dois. Ainda mais, não pelas palavras do autor do artigo mas, fica claro que o poder executivo tem uma postura politica mais forte que o próprio Parlamento, o que não devia segundo a consagração dos poderes. Porque acontece isto? Porque a oposição interfere de tal maneira politicamente em questões executivas, que induz a sociedade que é o PS que governa na pessoa de Sócrates e não no seu papel de administrador do território.

Quando foi criado este modelo de Administração Nacional, embora não pareça, o objectivo é que cada entidade se ocupe de determinada matéria em exclusivo, a fim de evitar posturas tendenciais. Maiorias e minorias formam um só tecido social isto é, no que diz respeito às leis, igual para todos. Mas, estas entidades são recheadas de pessoas e como diz António Costa: “..isto não diz respeito às leis, que existem e são suficientes para garantir que ninguém está acima delas, nem o primeiro-ministro. Isto diz respeito às pessoas, à sua integridade e à sua ética”.

Graça Franco disse, hoje, na Rádio Renascença
http://www.rr.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=123&did=79803 a respeito de outro tema, desemprego: são situações de convulsões sociais que dão abertura a soluções populistas e totalitárias. E, António Costa também frisou a generalização da crítica sobre José Sócrates: quem não lhe emite opinião crítica, é socrático. Em ambas as opiniões vislumbra-se um alerta sobre a soberania.

Não quer dizer que os governos totalitários sejam melhores ou piores que os democráticos, a única diferença é como as empresas que não têm conselho de administração e as que têm.

Já agora, uma frase de Sarsfield Cabral, também na RR ontem
http://www.rr.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=122&did=79619 : “Os governantes não prestam? Mas fomos nós quem os escolheu em eleições livres… (…) a mudança ética na vida pública tem de começar por nós. Arranjar bodes expiatórios é uma ilusão.”

Foto da autoria de outro amigo: Nuno Moura


http://photo.net/photos/Nuno%20Moura





sexta-feira, 13 de novembro de 2009

pessoas e PESSOAS

Tanto se fala de altruísmo e tão pouco se vê. É verdade que ao dar uma esmola hoje em dia, não se sabe se se está a ajudar alguém que não precisa em detrimento de cinco passos à frente já não pudermos ajudar aquele que precisa. Diferente não é aquela situação de donativos a instituições, principalmente, em grande escala, feira de vaidades e protagonismo com intuitos de promoções individuais.

Há quem peça esmola gratuitamente, como opção de vida com pouca dignidade. Há quem não peça esmola por uma questão de vergonha, perdendo a dignidade. E, são estes últimos os mais preocupantes, quer para eles próprios, quer para a sociedade.

A pobreza miserável destabiliza emocionalmente, socialmente e economicamente a civilização organizada. Tantos levantamentos se fazem da pobreza, tantos gráficos são elaborados; fazem-se, por correio e telefone, questionários com perguntas acerca do número do agregado familiar e respectivo rendimento, chegam-se a conclusões generalistas e irreais pois, as pessoas têm vergonha de mostrar a sua pobreza. No terreno, visitas a bairros degradados, para continuarem a ser degradados.

Não me lembro nunca de ouvir dizer que os autarcas presidentes de Juntas das freguesias tenham sido incumbidos de fazer levantamentos reais e direccionados a ajudar famílias identificadas. Não estou a dizer que muitos não o façam, mas não por directivas camarárias e governamentais.

Mas, não é só o aparelho de Estado destas e outras falhas e ou incompetências, esquecemo-nos que nós, povo, somos Estado. Que podemos indignarmo-nos com a pobreza e miséria do nosso vizinho. Que podemos reclamar a partir de quem mais perto de nós nos representa, o tal presidente da junta. Que podemos ajudar por meio de organizações de escalas mais restritas à semelhança de comissões de moradores.

O altruísmo não carece de decretos, carece sim de sensibilidade, princípios, nobreza, boa-vontade, respeito, humildade, gratidão, bom senso, diplomacia. E não se pense que altruísmo só se mede em ajudas pecuniárias e géneros, mede-se, também, em atitudes; quando há uma reivindicação pertinente, por exemplo, do sector primário da nossa economia, quantos do secundário e terciário ficam sensíveis e apoiam a causa activamente?