sexta-feira, 29 de outubro de 2010

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Filantropia

Neste mundo que se visa, quase em exclusivo, o lucro imediato e o esforço alheio, foi como vitamina a notícia abaixo transcrita num boletim de café, logo pela manhã. Por um lado angustiou-me pelas minhas / nossas atitudes egoístas por outro, foi como lufada de ar fresco ao perceber que ainda há gente com sentido de inter-ajuda.

A notícia:
Uma mãe solteira, que tem três trabalhos para conseguir manter um telhado sobre a sua cabeça e as das suas duas filhas adolescentes, perdeu esse telhado quando inesperadamente ele se desmoronou. Infelizmente, Christina Keller de Alberta, no Canadá, descobriu que a sua companhia de seguros não iria pagar para arranjar o telhado. O seu problema foi anunciado no jornal da localidade, e, felizmente dois biscateiros viram a história e ofereceram-se para ajudar. Os dois homens, Trent Maclsaac e Mike Gaensslem, que não se conheciam, eram uns bons rapazes que não gostavam de ver uma mãe tão trabalhadora ficar em dificuldades. Quanto a Keller, está tremendamente grata e espera um dia puder vir a ajudar alguém da mesma forma que a ajudaram a ela.

in Coffee News


segunda-feira, 19 de julho de 2010

Carta de vinhos, Cerejeiras




Peço desculpa a quem seguia esta rubrica e, até hoje, se podia deliciar por um único sabor. Hoje apresento um vinho corrente da estremadura contudo, o seu sabor não é o comum dos vinhos desta região. Eu, como simples apreciador, acho que essa diferença se deve à casta "Castelão".

É um vinho de sabor agri-frutado ou seja, com a base caracteristica de um vinho da estremadura (ácido) e um frutado à semelhança dos vinhos Baixo Douro / Beiras.

Cerejeiras Regional Tinto é produzido pela Companhia Agrícola do Sanguinhal, Bombarral.

Óptimo para acompanhar carne e mesmo peixe, principalmente, azuis (gordos). Na minha tabela de uma a cinco estrelas, dou-lhe 4.





O vinho e demais bebidas com álcool são para degustação e ajuda na composição de sabores, não são para matar a sede.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Carta ao Mathis, de Francisco Seixas da Costa

Poderia editar a carta sem qualquer comentário meu. Estaria tudo dito ou por outra, a mensagem estava dada. Mas, angustiantemente, como o ser humano é de visões curtas quando estão em jogo os sentimentos, interesses, orgulhos, bem estar, esforço, humanidade, produtividade, cooperação, altruísmo enfim, tantas posturas que a ninguém faria mal mas sim bem, e isso só porque somos uma sociedade dividida e explicada biblicamente pelo episódio da "Torre de Babel", decidi escrever estas linhas para me juntar à indignação, não da directora da escola, sim à estupidez e egoísmo humano que não aprende que o bem estar do semelhante é o bem estar próprio e levou, muito bem, a directora, a tomar a melhor opção para evitar "motins infantis", ao proibir Mathis de entrar na escola com a camisola da selecção portuguesa.

Ao Mathis: desejo que continues a sentir-te orgulhoso das tuas nacionalidades!

Ao Sr. Embaixador Francisco Costa: obrigado pela bonita carta e muito pedagógica!

Aos nossos pares terráqueos: sejamos tolerantes e educados!

Aos franceses: o nosso ascendente e vosso Rei Roberto II trisavô do nosso primeiro monarca e fundador do reinado português, D. Afonso Henriques, não deveria ficar orgulhoso por no País dele ainda lidarmos assim uns com os outros.


A carta do Embaixador Francisco Seixas da Costa:




Olá, Mathis


Soube há pouco, por um jornal, que não te deixaram entrar na escola, aqui em França, porque levavas vestida a camisola da seleção portuguesa. Os teus pais, ao que parece, ficaram aborrecidos com isso.

Queria dizer-te que não deves ficar preocupado com o que aconteceu. Pelos vistos, o objetivo da direção da tua escola foi evitar a possibilidade de outros meninos, de várias nacionalidades - a começar pelos franceses -, poderem meter-se contigo e criar alguma confusão. Se calhar, na tua escola, há meninos da Coreia do Norte...

É muito bom que tenhas sentido orgulho em usar a nossa camisola. A França é o país onde vives mas, como se viu, Portugal é o país que trazes no teu coração. É aqui que, provavelmente, irás fazer a tua vida, no futuro, mas isso não te torna menos português. A França é uma terra onde há muita gente que veio de outros países, como de Portugal, à procura de oportunidades para trabalhar. A França deu-lhes essa possibilidade e os portugueses retribuíram com o seu esforço, com a sua seriedade e a sua honestidade, para a riqueza da sociedade francesa. E aqui estão, também em sua casa. Ninguém deve nada a ninguém. E tu és a melhor prova do sucesso da integração dos portugueses em França, com a tua mãe francesa e o teu pai luso-descendente.

Os portugueses que aqui vivem devem ser sempre leais para com a França que os acolhe, da mesma maneira que a França tem de aceitar que tu, tal como os outros meninos que se sintam ligados a Portugal, possam mostrar isso, nas ruas ou nas camisolas. Pode discutir-se se a escola é o lugar mais indicado para andar com as camisolas da nossa seleção, mas, aos teus amigos de cá, deves lembrar que foi a Revolução Francesa, aquela que está na bela "La Marseillaise", que ensinou o mundo a lutar pela liberdade, a defender a igualdade entre todos e a demonstrar a nossa fraternidade perante os outros.

Para ti, caro Mathis, quero deixar-te um abraço bem lusitano e um convite para, um destes dias, vires, com os teus pais, visitar a Embaixada. E também espero que, qualquer que seja o resultado que a seleção portuguesa venha a ter no Mundial, tragas vestida a camisola das quinas. É que nós, os portugueses, temos por tradição ser muito orgulhosos do nosso país, tanto nos bons como nos maus momentos.

Francisco Seixas da Costa

in http://duas-ou-tres.blogspot.com/2010/06/carta-ao-mathis.html

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Dentadas da vida


Reparem na maçã com a primeira dentada! Linda, suculenta, aparentemente deliciosa. É como a nossa vida!

Não quero dizer que quem tem mais idade não tenha os atributos de uma juventude. Por vezes aliás, na maioria dos casos, têm até mais encanto e charme. Mas uma coisa é certa, a vida é efémera! Quantos não ouvimos dizer: "Se eu tivesse aquela idade...", "Aproveite agora, que era o que eu deveria ter feito...", "Então você é tão novo/a e já está com essa postura...", para além de casos ridículos em que se comenta: "Olha, está a querer fazer as loucuras que não fez em novo...", "Agora com aquela idade é que se foi meter com as(os) miúdas(os)...".

A beleza da vida é para ser degustada a cada dentada, não estar à espera que a próxima lhe saiba melhor.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

"...quanto mais ladrões, mais queridos, mais simpáticos..."

O título não são palavras minhas. Minhas, fico-me só com estas e, mais estas: Grande MULHER! porque, não é fácil ser assim, nem vai ser fácil...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O que faz falta?

Obrigado Lurdes pelo artigo e título do meu post!

Num post anterior com o título "pessoas e PESSOAS" termino assim: "...quando há uma reivindicação pertinente, por exemplo, do sector primário da nossa economia, quantos do secundário e terciário ficam sensíveis e apoiam a causa activamente?", ao que junto as interrogações de António Barreto, no fim do seu artigo: "...tão inquietante quanto esta tendência insaciável para o despotismo e a concentração de poder é a falta de reacção dos cidadãos. A passividade de tanta gente. Será anestesia? Resignação? Acordo? Só se for medo..."

Eu não sei o que é que se passa connosco contudo, atrevo-me a acrescentar mais uma às interrogações de António Barreto: Egoísmo?


SÓCRATES E A LIBERDADE,
por António Barreto in "Publico"

EM CONSEQUÊNCIA DA REVOLUÇÃO DE 1974 , criou raízes entre nós a ideia de que qualquer forma de autoridade era fascista. Nem mais, nem menos.
Um professor na escola exigia silêncio e cumprimento dos deveres?
Fascista! Um engenheiro dava instruções precisas aos trabalhadores no estaleiro? Fascista! Um médico determinava procedimentos específicos no bloco operatório? Fascista! Até os pais que exerciam as suas funções educativas em casa eram tratados de fascistas.
Pode parecer caricatura, mas essas tontices tiveram uma vida longa e inspiraram decisões, legislação e comportamentos públicos. Durante anos, sob a designação de diálogo democrático, a hesitação e o adiamento foram sendo cultivados, enquanto a autoridade ia sendo posta em causa. Na escola, muito especialmente, a autoridade do professor foi quase totalmente destruída.
EM TRAÇO GROSSO, esta moda tinha como princípio a liberdade. Os denunciadores dos 'fascistas' faziam-no por causa da liberdade. Os demolidores da autoridade agiam em nome da liberdade. Sabemos que isso era aparência: muitos condenavam a autoridade dos outros, nunca a sua própria; ou defendiam a sua liberdade, jamais a dos outros. Mas enfim, a liberdade foi o santo e a senha da nova sociedade e das novas culturas. Como é costume com os excessos, toda a gente deixou de prestar atenção aos que, uma vez por outra, apareciam a defender a liberdade ou a denunciar formas abusivas de autoridade. A tal ponto que os candidatos a déspota começaram a sentir que era fácil atentar, aqui e ali, contra a liberdade: a capacidade de reacção da população estava no mais baixo.
POR ISSO SINTO INCÓMODO em vir discutir, em 2008, a questão da liberdade. Mas a verdade é que os últimos tempos têm revelado factos e tendências já mais do que simplesmente preocupantes. As causas desta evolução estão, umas, na vida internacional, outras na Europa, mas a maior parte residem no nosso país. Foram tomadas medidas e decisões que limitam injustificadamente a liberdade dos indivíduos. A expressão de opiniões e de crenças está hoje mais limitada do que há dez anos. A vigilância do Estado sobre os cidadãos é colossal e reforça-se. A acumulação, nas mãos do Estado, de informações sobre as pessoas e a vida privada cresce e organiza-se. O registo e o exame dos telefonemas, da correspondência e da navegação na Internet são legais e ilimitados. Por causa do fisco, do controlo pessoal e das despesas com a saúde, condiciona-se a vida de toda a população e tornam-se obrigatórios padrões de comportamento individual.
O CATÁLOGO É ENORME. De fora, chegam ameaças sem conta e que reduzem efectivamente as liberdades e os direitos dos indivíduos. A Al Qaeda, por exemplo, acaba de condicionar a vida de parte do continente africano, de uma organização europeia, de milhares de desportistas e de centenas de milhares de adeptos. Por causa das regulações do tráfego aéreo, as viagens de avião transformaram-se em rituais de humilhação e desconforto atentatórios da dignidade humana. Da União Europeia chegam, todos os dias, centenas de páginas de novas regulações e directivas que, sob a capa das melhores intenções do mundo, interferem com a vida privada e limitam as liberdades. Também da Europa nos veio esta extraordinária conspiração dos governos com o fim de evitar os referendos nacionais ao novo tratado da União.
MAS NEM É PRECISO IR LÁ FORA. A vida portuguesa oferece exemplos todos os dias. A nova lei de controlo do tráfego telefónico permite escutar e guardar os dados técnicos (origem e destino) de todos os telefonemas durante pelo menos um ano. Os novos modelos de bilhete de identidade e de carta de condução, com acumulação de dados pessoais e registos históricos, são meios intrusivos. A vídeo vigilância, sem limites de situações, de espaços e de tempo, é um claro abuso. A repressão e as represálias exercidas sobre funcionários são já publicamente conhecidas e geralmente temidas. A politização dos serviços de informação e a sua dependência directa da Presidência do Conselho de Ministros revela as intenções e os apetites do Primeiro-ministro. A interdição de partidos com menos de 5.000 militantes inscritos e a necessidade de os partidos enviarem ao Estado a lista nominal dos seus membros é um acto de prepotência. A pesada mão do governo agiu na Caixa Geral de Depósitos e no Banco Comercial Português com intuitos evidentes de submeter essas empresas e de, através delas, condicionar os capitalistas, obrigando-os a gestos amistosos. A retirada dos nomes dos santos de centenas de escolas (e quem sabe se também, depois, de instituições, cidades e localidades) é um acto ridículo de fundamentalismo intolerante. As interferências do governo nos serviços de rádio e televisão, públicos ou privados, assim como na 'comunicação social' em geral, sucedem-se. A legislação sobre a segurança alimentar e a actuação da ASAE ultrapassaram todos os limites imagináveis da decência e do respeito pelas pessoas. A lei contra o tabaco está destituída de qualquer equilíbrio e reduz a liberdade.
NÃO SEI SE SÓCRATES É FASCISTA. Não me parece, mas, sinceramente, não sei. De qualquer modo, o importante não está aí. O que ele não suporta é a independência dos outros, das pessoas, das organizações, das empresas ou das instituições. Não tolera ser contrariado, nem admite que se pense de modo diferente daquele que organizou com as suas poderosas agências de intoxicação a que chama de comunicação. No seu ideal de vida, todos seriam submetidos ao Regime Disciplinar da Função Pública, revisto e reforçado pelo seu governo. O Primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas TEMOS DE RECONHECER: tão inquietante quanto esta tendência insaciável para o despotismo e a concentração de poder é a falta de reacção dos cidadãos. A passividade de tanta gente. Será anestesia? Resignação?
Acordo? Só se for medo...
António Barreto \ Público"